De acordo com o Projeto Museológico (P.M. – Redigido pela Fundação Mário Soares, Lisboa) os objetivos mais relevantes a serem implementados no Memorial da Escravatura e Tráfico Negreiros (M.E.) realizado em Cacheu (Capital de distrito, a norte do território da República da Guiné-Bissau), foi promover a recolha, conservação bem como “disponibilizar objetos e artefactos” que pudessem e possam ter sido identificados em campanhas arqueológicas como os “panos di pinti”, com motivos e desenhos “desaparecidos”, e que apresentassem estreita ligação com o tráfico de escravos, ao mesmo que promover, divulgar a recolha e tratamento de testemunhos da tradição oral da memória da escravatura, para serem mostrados numa estrutura permanente, de funcionamento aberto à comunidade incluindo atividades viradas para as escolas, as associações culturais, jovens, anciãos, investigadores nacionais, estrangeiros e da diáspora.
O Memorial foi implementado num Imóvel de Arquitetura Colonial, sendo que o Edifício conotado como “Casa Gouveia”, encontrava-se em elevado estado de degradação “ruina”, bem como o restante conjunto da propriedade.
Esta contingência possibilitou e proporcionou um maior grau de intervenção no desenvolvimento da proposta do Projeto de Arquitetura do ME, que se traduzi-o ao nível volumétrico e espacial num Projeto de Requalificação/Reabilitação/Ampliação visando realizar, formação/recomposição de quatro edifícios distintos, e ainda contando com a inserção de um novo elemento arquitetónico, funcionando como elo de ligação/unificação do conjunto edificado – Entrada/Atendimento do ME – sendo que por este espaço viriam a ser localizadas as ligações verticais para todos (mobilidade/acessibilidades), permitindo por aí alcançar os diferentes níveis do Memorial sem barreira arquitetónicas.
Mas do Conjunto Edificado Proposto para a Realização do ME, só está realizado o Edifício Principal – “Casa Gouveia” – embora desde do princípio da sua conceção, o Memorial foi elaborado para ser realizado em diferentes fases de execução e por isso concebido/elaborado de forma dúctil, de modo a se adaptar às necessidades circunstanciais, sem entrar em conflito com o Projeto do seu Conjunto “inicial”, ao mesmo tempo foi possível manter e preservar de forma harmoniosa o aspeto estético/arquitetónico e funcional, embora as questões contextuais, obrigaram a que o Projeto de Arquitetura tivesse que ser reformulado em todas as vertentes acima mencionadas, devido a redução do espaço resultante desta situação.
Uma reformulação projetual, em que tive o objetivo de realizar, reorganizar novamente os ambientes disponíveis, de modo/forma a não prejudicar de futuro, a execução da totalidade do Conjunto do Memorial da Escravatura e Tráfico Negreiros, Cacheu Guiné-Bissau.